segunda-feira, 28 de abril de 2008

Reflexão pessoal sobre o uso das TIC na Educação de Adultos

Segundo a Comissão da Comunidade Europeia, as TIC assumiram uma importância capital para a Sociedade actual. Permitem a possibilidade de melhores perspectivas de trabalho, de informação e de relações sociais. É necessário, portanto permitir a info-inclusão que permita a integração plena na Sociedade da Informação a todos os que a desejem, promovendo a justiça social e condições de equidade.
Desta forma, a Aprendizagem ao Longo da Vida tem de ser estimulada, no sentido de desenvolver e / ou continuar a desenvolver competências que possibilitem a todos os cidadãos a integração plena na Sociedade do Conhecimento. Neste sentido, a Educação de Adultos assume particular relevância, pois permite aos cidadãos o contacto com um saber mais actualizado, e, ao mesmo tempo, o contacto com as Novas tecnologias de Informação e Comunicação, às quais antes não tiveram acesso.
Enquanto professora de Adultos, tentámos alargar e / ou alterar o âmbito do processo Ensino / Aprendizagem, partindo dos cohecimentos que os adultos adquiriram ao longo da sua vida, em contexto formal, não formal ou informal.
A aprendizagem significativa assume particular relevância, para este tipo de aprendentes. Convém referir que se trata sempre de grupos muito heterogéneos, com ritmos de aprendizagem muito diversos, o que preferimos encarar como um desafio, na sala de aula.
As TIC são um instrumento altamente facilitador de aprendizagens que pretendemos significativas e diferenciadas. Hoje em dia, o professor deve encarar as Novas Tecnologias como tal - facilitadoras, motivadoras e que permitam, acima de tudo, respeitar os interesses e os ritmos de aprendizagem . Desta forma, gostaríamos de apresentar exemplos da utilização de alguns softwares educativos: os Mapas Conceptuais e as Hot Potatoes.
A construção de Mapas Conceptuais permitem aos alunos a estruturação do pensamento, o desenvolvimento da sua capacidade interpretativa e, quando utilizados como estratégia de trabalho individual, realçar os aspectos mais significativos de uma determinada aprendizagem, para cada um.
Por sua vez, as Hot Potatoes permitem o treino de aspectos mais estruturais dos conteúdos, particularmente, em nossa opinião, para alunos que revelem mais dificuldades na sua aquisição. Permitem uma aprendizagem mais autónoma, através da correcção imediata dos exercícios, sem retirar ao professor a sua função de (re)orientador do processo, explicando em situações de maior dificuldade.
Tal como fizemos relativamente aos mapas conceptuais, deixamos aqui um exemplo de um exercício gramatical, para alunos com mais dificuldades, através deste software.
http://gomesmarg.googlepages.com/ exercício de ortografia

Aprender a Ensinar no Séc XXI - 2ª parte

No paradigma anterior à Sociedade da Informação, a Educação era encarada como "transferência" de matérias / conteúdos para a cabeça dos alunos.
Para muitos este paradigma continua a ser usado. Ainda hoje se verifica, em muitos casos, que as aulas são passadas a ler textos, e os professores tentam ensinar como utilizar uma série de instrumentos que fazem parte do passado. O sucesso dos alunos é visto como a sua capacidade de responder correctamente a testes de escolha múltipla.
Ora, para os alunos dos nossos dias, isto não é Educação. Educação é estarem preparados para o futuro, para o seu futuro. Esta preparação começa por tudo aquilo que eles conhecem da sua interacção com o mundo e com as pessoas, pela televisão, pela internet, etc. Depois, basta deixá-los seguir os seus interesses, aprendendo coisas que considerem úteis, partilhando os seus pontos de vista ao longo do processo. Hoje em dia, as crianças querem que a sua educação seja significativa, útil e relevante para o futuro. Para elas, os factos, as explicações, os instrumentos apresentados, só são significantes na medida em que apoiam os seus próprios objectivos.
A tecnologia aplicada ao velho paradigma tem pouco sentido para os jovens de hoje. Usar um Powerpoint numa aula em que o professor se limita a lê-lo, terá o mesmo significado que escrever no quadro negro. Para quê ouvir ler o que está escrito?
Actualmente, os alunos preferem trabalhar em grupos, partilhar as suas ideias com os seus pares, serem desafiados, ouvidos e respeitados. Para eles, é importante encontrar informação relevante em qualquer local, partilhá-la rapidamente e com frequência, compará-la em diversas fontes, usar ferramentas que podem estar guardadas nos seus bolsos e acima de tudo, procurar o significado pela discussão.
Ensinar no Séc. XXI pode ser fácil
No novo paradigma educacional, segundo Prensky, ensinar pode ser uma tarefa fácil. Basta levantar roblemas e desafios interessantes, relacionados com o currículo, e deixar os alunos usarem os seus próprios instrumentos, trabalharem em grupo e partilharem para os resolver. Não faz sentido preparar aulas. Basta dizer aos alunos onde se quer que eles cheguem, e deixá-los chegar até lá por si próprios. Basta manter as salas de computadores abertas até à meia noite, basta mantê-los motivadas e é vê-los aprender.
Alguns educadores começaram a encarar a Educação como uma Paixão e não uma Disciplina. Assim, estão a abraçar o novo paradigma educacional e a alterar o seu papel. Os professores deverão ser, cada vez mais, desafiadores, observadores, guias e "treinadores". A sua função é ensinar sobre "rigor intelectual", mas em primeiro lugar, têm de trabalhar com os alunos a definição de "metas educacionais" mais úteis para eles, em substituição do velho paradigma e do livro de texto.
Os educadores do futuro têm de ter em mente que as Novas Tecnologias estão a ditar não só o futuro dos nossos jovens, mas também um novo paradigma para os ensinar, por isso terão de alterar a sua conduta neste sentido.
A função dos educadores eficazes para o futuro será "dar rédeas"aos alunos para usar as tecnologias e despertar neles a paixão de aprender.
Baseado no artigo de Mark Prensky:
- Prensky, M. (2007), Changing Paradigms, from "being taught" to "learning on your own with guidance", in Educational Technology

Aprender a Ensinar no Séc. XXI

De acordo com Prensky (2001), a principal razão do insucesso escolar prende-se com a mudança radical que se verifica nos jovens de hoje, e com a desarticulação do sistema educacional, face a essa mudança.
A chegada e disseminação das Novas Tecnologias digitais, a partir das últimas décadas do Séc. XX, fez com que as estruturas cerebrais dos nossos jovens se alterassem. Hoje em dia, os jovens processam a informação e pensam de forma diferente das gerações anteriores. Falamos das D (digital)-Generations ou N (net) - Generations, a que Prensky prefere chamar Digital Natives, por oposição aos Digital Immigrants.
Os jovens de hoje, estão preparados para receber informação de forma mais rápida, para desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo, para funcioar melhor em rede e preferem jogos ao "trabalho sério".
Nesta perspectiva, pensamos que a Escola tem de mudar. As estratégias e metodologias de ensino têm de se adaptar a estas mudanças sociais provocadas pelas Novas Tecnologias. A grande questão que se coloca, por isso, é saber exactamente o que terá de mudar: Deverão os Nativos Digitais adaptarem-se às metodologias e estratégias antigas de aprendizagem? ou, por outro lado, deverão ser os Imigrantes Digitais a aprenderem metodologias novas?
Para Prensky, não é previsível que os jovens venham a retroceder, pois fisiologicamente os seus cérebros mudaram. Por isso, os educadores eficazes - imgrantes digitais - aceitam e aprendem com os próprios jovens; os menos flexíveis perdem o tempo a recordar que "antes é que era bom".
Os professores / educadores de hoje em dia têm de aprender a comunicar e a utilizar a linguagem dos jovens, não descurando as competências do pensar. Assim, terão de usar novas metodologias que permitam ir mais rápido, de forma mais abrangente e que relacionem vários aspectos do conhecimento.
Segundo o novo paradigma educacional, para o Séc. XXI, há que considerar dois conteúdos essenciais (Prensky, 2001): i) Legacy content; ii) Future content.
O primeiro relaciona-se com conteúdos "antigos" que têm de ser trazidos para a actualidade, nomeadamente, ler, escrever, conteúdos de aritmética, pensamento lógico, etc. O segundo é mais abrangente, digital e tecnológico. Inclui software, hardware, robótica, mas também ética, política, sociologia, entre outras.
Estes são conteúdos muito interessantes para os jovens, mas... estarão os professores (imigrantes digitais) preparados para os ensinar?
Como educadores, há que encontrar a melhor maneira de ensinar, tanto os Legacy Contents, como os Future Contents, na linguagem dos jovens. É esse o nosso papel. Enquanto o primeiro envolve mais alteração metodológica, o segundo requer inovações de conteúdo e principalmente de pensamento. Cabe-nos aqui questionar: o que será mais difícil? Aprender coisas novas, ou novas formas de ensinar coisas antigas?
Há que inventar, mas não do zero. Adaptar materiais à nova linguagem pode e está a ser feito com sucesso. Na opinião de Prensky, a melhor forma será a criação de jogos de computador para o efeito, pois é esta a linguagem familiar aos nosso jovens.
A ideia de que esta abordagem não se aplica a todas as matérias é falsa. Basta um pouco de imaginação e combater a preguiça e os medos dos professores.
Baseado no artigo de Mark Prensky.
- Prensky, M. (2001) Digital Natives, Digital Immigrants, in On The Horizon, NCB University Press

terça-feira, 22 de abril de 2008

Mapa Conceptual na Disciplina de Português



Este trabalho foi realizado pelos alunos do Curso de Educação e Formação de Adultos - EFA B3 - com a nossa colaboração, na Disciplina de Linguagem e Comunicação, como síntese das ideias fundamentais de um texto trabalhado na aula.

Mapas Conceptuais – Instrumentos de Aprender a Pensar

Segundo o novo paradigma educacional, a escola actual deve pautar-se por dois eixos fundamentais: “aprender a aprender e “ensinar a pensar” (Ontoria, A., et al, 2003).

Assim, o professor deve ser aquele que reflecte sobre a sua prática docente, e conduz a sua prática pedagógica através de uma pedagogia activa, transformando o processo Ensino / Aprendizagem num processo de investigação. “O aluno tem de aprender a aprender e o professor tem de ensinar a pensar”. Ontoria (2003:7)

Considerando a aprendizagem como um processo de desenvolvimento de estruturas significativas, em que o conhecimento é sinónimo de “compreensão de significado”, o processo Ensino / Aprendizagem deve ser encarado como um processo de “reflexão – acção”, cuja aprendizagem deve ser significativa e contextualizada, passando por fases como a Assimilação, a Reflexão e a Interiorização, que levam os alunos a tomadas de posição pessoais – atingindo assim o grande objectivo de “aprender a aprender”.

Neste sentido, consideramos que os Mapas Conceptuais são ferramentas de organização e representação de conhecimento, que contribuem fortemente para desenvolver a autonomia individual dos alunos, promovendo “o aprender a pensar”.
Na nossa prática docente, no âmbito da Educação de Adultos, a utilização de Mapas Conceptuais assume uma grande relevância, pois este tipo de alunos tendem a ter uma auto-estima pouco elevada, assumindo, muitas vezes a postura de que não sabem fazer, não conseguem realizar tarefas. A utilização desta ferramenta como estratégia de estruturação de pensamento ou de sistematização de ideias é extremamente eficaz, pois, sem ter de escrever muito – dificuldade apontada pela maioria dos alunos – conseguem estruturar ideias e sistematizar informação, tornando a tarefa da escrita menos penosa para eles. Desta forma, ficam mais motivados para prosseguir a sua aprendizagem, tornando-se, assim, mais autónomos e motivados.

Bibliografia:

Ontoria, A., e tal. (2003), MAPAS CONCEPTUAIS, Uma Técnica para Aprender, Porto: Asa Editores

domingo, 30 de março de 2008

Alguns Riscos da Sociedade do Conhecimento

Douglas Coupland, escritor canadiano, publicou em 1995, o livro Inforescravos, onde nos dá uma visão aprofundada, crítica, realista e fria de um estilo de vida que atingiu o seu auge nos anos ’90, de uma geração desiludida com o ritmo desumano do mundo do trabalho, o consumismo, a cultura de massas, a destruição do ambiente e a falta de sentido das suas vidas em geral, para a qual contribuiu, de alguma forma, o tipo de trabalho que desempenha.
Retrata a vida de funcionários da indústria de software e os seus amigos e as consequências do seu tipo de trabalho nas suas vidas e relações sociais.
A história é uma espécie de diário digital do narrador, onde vai expressando as suas ideias e sentimentos.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Definição de Sociedade do Conhecimento

Sociedade da informação é um termo que também pode ser chamado de Sociedade do Conhecimento ou Nova Economia, e que surgiu no fim do Século XX, vinda da expressão Globalização. Este tipo de sociedade encontra-se em processo de formação e expansão. É uma sociedade que recorre predominantemente às novas Tecnologias de Informação e Comunicação para a troca de informação em formato digital.

É a consequência da explosão informacional, caracterizada sobretudo pela aceleração dos processos de produção e de
disseminação da informação e do conhecimento.
As Culturas e identidades colectivas são uma consequência desta nova era. Houve uma
padronização de culturas e costumes.

Poderá ser um novo modo de evitar a exclusão social e uma forma dar oportunidades aos menos favorecidos, desde que se criem condições para que todos tenham acesso às TIC.


A propósito da Sociedade de Informação, numa Conferência de Ministros, em 1995, foi dito que:
As TIC estão a mudar a forma como vivemos; como trabalhamos e fazemos negócios; como educamos as nossas crianças, estudamos e investigamos, nos treinamos a nós mesmos e como nos divertimos.
A sociedade de informação não afecta apenas o modo como as pessoas interagem, mas requer também das organizações tradicionais que sejam mais flexíveis, mais participativas e descentralizadas.